Passaram por aqui

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011



Atualmente, um coração puro, inocente e despido, encontra-se doloroso, sem cor, sem vida. Algumas farpas atravessaram o peito deixando um buraco gigantesco em sua superfície. É de tamanha importância que alguém chegue de leve, sem querer nada, sem sentir nada, senta-se em lugar vazio, sem deixar vestígios e ir embora ao sentido de querer ficar, e obrigação de ter que ir.  Aguarde. Uma, duas, três vezes a pessoa voltar. Não volta. Não, ela não volta – sussurrou. 
O doloroso é sentir independente daquilo, é uma droga? Que vício sem fim seria esse? Como se deve curar? Há remédios? Um tarja preto, talvez? É incurável? Que dor é essa? Tem nome? Coloca-se, impõe-se um nome? Como devo chamar? Posso apelidar? Uma oposição? Amor? Não, não é possível! Fecharam-se os olhos e foi no sentido de que aquilo era um sonho, sim, um sonho surreal, e umas das farpas ao invés de penetrar e sair, permaneceu, rasgando até aonde conseguia chegar. Sem voltas – acostuma-se!
Diga-me, o porquê iniciou-se algo que não faria sentido? Por quê?  Qual o problema dessa natureza impecável? De chegar, amar, sentir, beijar, abraçar, como se fosse um em dois. Você partiu como se não houvesse nada acontecido. É costume? Sempre fez isso? Ah, sempre fez isso – murmurou. Com quantas? Uma, duas, três, quatro... Incontáveis, foram mulheres ludibriadas. Serei eu, mais uma? Ó céus! Senhor, não me deixe passar pelo que todas passaram. Não por medo, carência, desculpas. É por não querer. É por não me tornar pior do que já sou. Um monstro? É isso que sou? É isso que me tornei? Fria? – Talvez!
Quando fugias, corrias, desaparecias, levavas de mim tudo que tinha. Sim, você levou consigo meu coração, meu bom humor, minhas carências, o respirar ofegantes de minhas narinas, os frios intensos do meu estômago, as borboletas, as velhas borboletas nervosas e ofuscantes - você levou... Tudo que tinha. Por quê? Qual é o seu problema? O que tem em você que não consigo ligar o desapego? – O sorriso, a maneira dos lábios rasgarem voluntariamente pelo rosto, o jeito de olhar, o olhar, a maneira correta que examinava para os meus quando queria descobrir algo em que ocultava a todo instante, as sobrancelhas e a dianteiros franzidas, os cabelos cores negros cortados bem curtos, raspados dos lados por obrigação, ou o jeito envergonhado de receber carinho, atenção, afeto [...] Qual é o seu problema?  Repito em voz baixa – Qual... Qual... Qual... O seu... O seu... Problema? Porque não fique comigo, me faça companhia nas noites escuras de luar, ou nos dias ensolarados e fortes, na beira do mar ou/e pescando uns peixinhos para levarmos a nosso novo lar - aquele que inventei na cabeça, nos sonhos impossíveis  deveria vim aqui, tirar-me da solidão que assola as meia-noite, e me esquentar nas madrugadas chuvosas, acender uma lareira aonde tivéssemos os dois, só os dois a dois. Vamos. Cadê você? Não me procuras mais, me esquecestes assim tão fácil? E os momentos? É. Os poucos momentos juntos, não significou nada pra você? Pois eu falo, a todos se for possível, como era incrível, como se prolongava o tempo quando estávamos felizes perto um do outro. Isso era do meu interesse. Do seu, eu não sei, talvez não.
Observo em todos os aspectos que veio acontecendo antecipadamente, creio que não me enganei quando lhe vi pela primeira vez e senti, eu não, mas meu coração sentiu, meu peito sentiu, aceleração tornou-se intensa, minhas veias borbulhando sangue para todos os lados do corpo, palpitação forte e incontrolável. Esqueci-me que ainda tinha uma razão a ser aceita. Rejeitei-a. Não pensei - não consegui - foi mais forte, veemente, e não momentâneo. Ainda sinto. Desculpe-me. Dói, muito. É como se arrancasse de mim o que temia. Não me sinto, nem me vejo e não me escondo. Não posso. Algo tomou conta de mim, por inteira. Você me consumiu, teve essa vantagem, alias, tem. E hoje tenho a responsabilidade de cuidar de você, enquanto estiver longe ou perto, mesmo não querendo, não sentido o que sinto quando contemplo o seu rosto e me apaixono perdidamente todas às vezes que eu me deparo com ele. Espero que passe, ansiosamente. Não por achar que és mais um, que chegou, balançou-me, e foi embora. Mas por não suportar sua ausência todas as vezes que me encontro dessa maneira. E não poder usar ''desculpas'' ao falar a todos que isso não era paixão. Era amor. É amor. 


Autor: Paloma West Alissan
Se plagiar algo do texto, refira-se ao autor, deixando seus créditos! 
Agradeço!